sexta-feira, 30 de abril de 2010

AMAR, AO INVÉS DE JULGAR

Estamos todos tão acostumados a fazer e sofrer julgamentos, que isso se tornou natural em nós, faz parte da natureza humana: bateu o olho, a mente já julga. Seria tão bom se fosse diferente... Fiz alguns julgamentos ao longo da minha vida dos quais me arrependo amargamente. Das vezes em que fui julgada, nem quero falar. Porque somos assim? Não sei, talvez por falta de maturidade, de amor, de esperança. Devíamos exercitar mais o amor na nossa vida diária, olhar os outros com um pouco mais de paciência, sem pensar só em nós mesmos. Uma vez assisti a um filme chamado "O jardineiro fiel", que mostra a vida de um casal, onde todas situações apontam para uma quase certa infidelidade da esposa, mas o marido continua fiel até o fim, amando e respeitando inocentemente a mulher, contrariando todas as expectativas do público, até que, depois que ela morre tragicamente, nós descobrimos que ela era realmente inocente. Um ótimo filme, recomendo a todos. Nos faz pensar na maneira como olhamos o nosso próximo, e entender que nem tudo é o que parece. De verdade.

ANISTIA DOS CRIMES DA DITADURA MILITAR

A pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi realizado durante os últimos 2 dias no Supremo Tribunal Federal um julgamento que manteve por 7 votos a 2 a validade da Lei da Anistia, que desde 1979 beneficia tanto agentes do Estado como militantes da oposição que cometeram crimes na Ditadura Militar. A OAB questionou a amplitude da lei, com intenção de excluir do perdão os crimes hediondos (tortura, estupro, desaparecimento) praticados por militares. Porém, a maioria dos Ministros considerou que a negociação da Anistia foi fator fundamental para a transição da Ditadura para a Democracia, e segundo o presidente do STF, Cezar Peluso, a mesma OAB teve participação decisiva na aprovação dessa lei em 1979. Além disso, a ação da OAB não faria sentido, já que os crimes em questão já teriam prescrito, pois no Brasil o crime com prescrição mais demorada é homicídio: 20 anos. A Ordem sustentou que crimes como tortura e estupro não podem ser considerados políticos ou ideológicos, por isso, a lei em questão não poderia beneficiar tais criminosos, e que o STF foi na contramão de uma tendência internacional que considera tortura como crime imprescritível. Infelizmente no Brasil a justiça, além de tardar, às vezes acaba falhando...

OS PICHADORES

Uma notícia me deixou curiosa: na manhã de hoje, dois jovens superlegais se "ofereceram voluntariamente" para dar início ao Projeto Antipichação da cidade do Rio de Janeiro. O projeto consiste em limpar as pichações de vários pontos da cidade, incluindo túneis, galerias e fachadas poluídas pelos artistas. Até aí tudo bem, supernormal, jovens legais engajados em campanhas legais para melhorar o mundo em que vivemos. A não ser por um pequeno detalhe: esses dois são, justamente, os caras acusados de, no último dia 14, terem pichado a estátua do Cristo Redentor, também no Rio. (...) Senhoras e senhores, ou temos aqui um extraordinário caso de regeneração da natureza humana, ou alguém usou um argumento muito forte para convencê-los a pagar esse mico. Fiquei mesmo curiosa.